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Comunidades indígenas levam cultura e arte para o estande da Seduc
30/08/2019

Comunidades indígenas levam cultura e arte para o estande da Seduc

A Coordenadoria de Educação Escolar Indígena (Ceeind) levou para o estande da Seduc, na tarde desta sexta-feira (30), os alunos da comunidade indígena Acara-Mirim, distante cerca de 50km do município de Tomé Açu, nordeste paraense.Além da roda de conversa, foi feita também uma apresentação de artesanato e grafismo entre os alunos e os visitantes. Para a coordenadora do Ceeind, Lili Chipaia, foi uma oportunidade de levar um pouco do conhecimento e da cultura indígena. Jhonatan Vaz de Sousa tem 22 anos e é um dos alunos do projeto, que tem como base a metodologia do Mundiar, porém, adaptada para a realidade da aldeia. "Estudar no projeto tá sendo bom porque antes a gente não tinha esse preparo acadêmico". Atualmente, ele trabalha como zelador na escola indígena de mesmo nome da aldeia e ainda não decidiu o que pretende cursar na universidade.Etnia Warao leva artesanato para a Feira do LivroA 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes foi especial para os indígenas da etnia Warao assistidos pelo projeto Saberes da Ceja. Inédita no Brasil, a iniciativa de alfabetizar os indígenas venezuelanos refugiados no Brasil é da Seduc e na manhã de hoje (30) eles tiveram a oportunidade de conversar com os visitantes da feira e divulgar o artesanto que produzem em Belém, típico da cultura warao.A professora do projeto, Núlcia Azevedo, destaca que o projeto tem uma perspectiva multilíngue, ou seja, as aulas são ministradas nas línguas portuguesa, espanhola e warao para permitir a interação. “A prioridade deles é aprender a língua portuguesa, mas sem esquecer o idioma e a cultura de origem”, explica.O coordenador do projeto pedagógico Marcos da Costa Lima lembra que levar os indígenas para a Feira do Livro permite a interação entre a cultura deles e a nossa. “A exposição serve para estender o que eles aprendem na escola, são materiais confeccionados por eles que podem ser expostos e comercializados, potencializando esse trabalho como opção de renda”, destaca.Serviço:A 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Pará por meio da Secretaria de Cultura (Secult) que segue até 1º de setembro no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O evento está aberto para visitação entre 10h e 21h com entrada franca. (ASCOM Seduc)

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Linguagem e protagonismo indígena são temas de palestra na Arena Multivozes nesta quinta (30)
30/08/2019

Linguagem e protagonismo indígena são temas de palestra na Arena Multivozes nesta quinta (30)

As vozes indígenas, protagonistas nesta sexta-feira (30) de 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes estiveram presentes na palestra “Ouso Falar!" As múltiplas vozes do protagonismo indígena que o Estado pensa ‘silenciar’”, realizada na tarde desta sexta-feira na Arena Multivozes com a mestre em Antropologia e doutora em História Jane Beltrão. O trabalho de Jane é dedicado principalmente aos povos tradicionais, sendo autora de diversos livros sobre o tema e trabalhando hoje como perita, produzindo laudos sobre questões que afetam os povos indígenas. Acompanhada de duas lideranças indígenas, Jane tratou principalmente da resistência desses povos e a relação entre o que ela chamou de "novo português" e as linguagens tradicionais. “Nós não podemos permitir que o racismo e o preconceito eliminem a nova forma de português que nós deveríamos estar aprendendo para conversar na diversidade”, disse a antropóloga. A plateia também contou com a presença de uma das escritoras homenageadas, Zélia Amador. Serviço:A 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Pará por meio da Secretaria de Cultura (Secult) que segue até 1º de setembro no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O evento está aberto para visitação entre 10h e 21h com entrada franca. Texto: Isabela QuirinoFotos: Mário Quadros

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Diálogos promovem acesso à informação e inclusão de pessoas com autismo
30/08/2019

Diálogos promovem acesso à informação e inclusão de pessoas com autismo

Com espaços dedicados ao autismo, Grupo de Trabalho em Autismo do Governo do Pará promove diálogos voltados para a temáticaO Transtorno do Espectro Autista é uma realidade que atinge diversas pessoas no Brasil e mundo. Segundo dados do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão do governo dos Estados Unidos, existe um caso de autismo para cada 110 pessoas. Com isso, estima-se que entre os 200 milhões de habitantes do Brasil, existam cerca de 2 milhões de autistas.Detectar desde cedo os sinais pode ser decisivo para o futuro de uma criança autista, principalmente em relação à vida social, afetiva e escolar. Dentre as dificuldades relacionadas à temática, está o diagnóstico precoce e a aceitação familiar, o que resulta no desenvolvimento mais tardio da criança.Foi por meio desta temática que o Governador do Estado, Helder Barbalho, por meio de um decreto governamental, lançou, em maio deste ano, o Grupo de Trabalho em Autismo, que possui um trabalho voltado para o desenvolvimento de políticas públicas para pessoas com autismo. A iniciativa propõe ainda a criação de um Centro Especializado de Atenção ao Transtorno do Espectro Autista (CETEA).O reforço de políticas voltadas para o assunto foi o que possibilitou a presença de um estande inclusivo sobre autismo na 23ª Feira Pan Amazônica do Livro e das Multivozes. O espaço também conta com atividades adaptadas e lúdicas para pessoas com autismo, lançamentos de livros de escritores autistas, quiosques de vendas de material adaptado feito por mães de crianças com autismo e rodas de conversa sobre o tema.Mãe de uma criança autista, Nayara Barbalho, que representa a sociedade civil dentro do grupo de trabalho, reforça que o estande ajuda no processo de informação e conscientização. “Atualmente existe uma projeção de que em 2025 teremos uma criança autista a cada 5 que nascem. Por isso, é preciso falar, conscientizar e informar, para que as pessoas incluam esse autista na sociedade de forma plena”, conta.Nayara destaca ainda que, quanto mais rápido o diagnóstico, melhor é a intervenção para o desenvolvimento da pessoa autista. “O conselho que eu deixo é que, ao primeiro sinal, a família já procure um especialista. A intervenção precoce é fundamental na vida de uma criança com autismo”, explica.Movimento de uniãoMovido pelas lutas constantes de conscientização e acesso à informação, o grupo “Mães Guerreiras do Pará” é um movimento criado há dois anos por mães de crianças autistas com o objetivo de desenvolver ações voltadas para a causa. Uma dessas ações é o estande de economia criativa presente na Feira.No local, encontramos materiais pedagógicos adaptados com atividades que ajudam a trabalhar elementos da vida diária que podem ser mais difíceis para uma pessoa com autismo, como o simples fato de amarrar o cadarço.Para a presidente do movimento, Laurinha Cardoso, a presença de um estande que fala sobre o tema é um passo para um futuro inclusivo. “Estar falando e chamando as pessoas para essa luta é sinal de que, no futuro, teremos famílias empoderadas, bem esclarecidas e autistas recebendo as suas terapias. Pois hoje, infelizmente, há muita dificuldade para conseguir”, ressalta.No estande “Mundo Azul”, encontramos a força de 189 mães presentes no grupo de apoio às famílias do estado do Pará que oferecem projetos, campanhas e palestras para ajudar não só o autista, mas as famílias como um todo.“Precisamos conscientizar a sociedade pra que a gente não viva momentos de tantos preconceitos. O conhecimento ajuda a libertar todas essas famílias de momentos bem dolorosos e difíceis, então é muito importante que profissionais da educação, da terapia e a sociedade como um todo tenham acesso a esses conteúdos”, explica Ana Patrícia, representante do espaço e mãe de criança autista.Formação de profissionais qualificadosAlém do diagnóstico, a inclusão de crianças e jovens autistas na escola é uma política pública com grande importância e garantida por lei. A Lei 13.146/2015 assegura que alunos com autismo (ou outro transtorno que exija tratamento especial) tenham acesso à escola. A instituição deve ainda promover adaptações que favoreçam o desenvolvimento da criança ao espaço em questão.A iniciativa do Governo do Estado possibilitará a primeira especialização pública em transtorno do espectro autista em parceria com a Universidade do Estado do Pará (UEPA) e Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). “A intenção é formar profissionais especialistas em transtorno do espectro do Autismo. Qualquer área de graduação poderá fazer o processo seletivo”, explica Scheilla Abbud, mestre em ciências da educação e Coordenadora do curso.Serviço:A 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Pará por meio da Secretaria de Cultura (Secult) que segue até 1º de setembro no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O evento está aberto para visitação entre 10h e 21h com entrada franca. Texto: Gabriel MarquesFotos: Mário Quadros

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Papo Reto: programa encerra seu último dia na Feira com música e poesia
30/08/2019

Papo Reto: programa encerra seu último dia na Feira com música e poesia

Ao longo da semana, a Arena Walcyr Monteiro recebeu diversas programações voltadas para a temática das multivozes. Uma delas foi o programa “Égua do Papo Reto”, da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), que se apresentou pelo última vez no evento nesta sexta (30).Com muita música, poesia e vivências, o programa contou com o professor e poeta Mateus Souza, o poeta Renato Gusmão e o músico Renato Torres. Na dinâmica, jovens e educadores também puderam entrar na roda de debate e compartilhar seus poemas e experiências.Para Mateus Souza, o espaço é uma oportunidade de potencializar a educação dos jovens e descobrir talentos. “A ideia é compartilhar um pouco desse sentimento que a poesia causa na gente de formação estética, de fazer bem. Faz a gente descobrir que existem muitos talentos dentro da escola, poetas, músicos, escritores”, explica.Renato Torres destaca a importância da promoção da temática da leitura nas próprias escolas. “A formação de leitores e de público que gosta de literatura é uma tarefa de todos os artistas que trabalham nesse nicho. Precisamos promover essa busca, conversar com os jovens e tentar criar um encantamento pra que eles percebam o quanto é saboroso trabalhar com essa linguagem”, conta.O poeta Renato Gusmão destaca a importância da participação dos alunos no momento de virada do bate papo, que é quando o público é convidado a declamar as poesias. “Eu sempre acho a parte de interação com o público o momento mais interessante do evento, porque aí nós descobrimos pessoas que se expressam por esse universo da poesia.A estudante da escola Ulysses Guimarães, Juliana Moura, foi uma das alunas que pôde compartilhar parte das poesias que escreve. “Esse espaço é muito importante pros jovens porque às vezes não entendemos o sentido da poesia pra nossa vida. Vindo aqui nesse espaço e falando disso de forma jovial, eles acabam entendendo”, conta.Para Juliana, a poesia é um universo de refúgio, onde qualquer coisa é possível. “Eu considero esse o meu universo, onde coisas impossíveis se tornam possíveis. É onde eu me sinto bem, me abrigo nesse mundo particular e encontro paz nas poesias que eu escrevo”, revela.Idealizado pela Seduc, o programa Égua do Papo Reto é coordenado por Ivone Cabral e Walter Gomes Júnior (professores da Seduc). “A ideia é trazer o diálogo com os alunos e que eles participem ativamente, trazendo temáticas que envolvem a vivência deles para serem debatidas com profissionais da área”, destaca Ivone.Serviço:A 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Pará por meio da Secretaria de Cultura (Secult) que segue até 1º de setembro no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O evento está aberto para visitação entre 10h e 21h com entrada franca. Texto: Gabriel MarquesFotos: Mário Quadros

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Contos sorteados pela plateia formam espetáculo apresentado na Arena Walcyr Monteiro
30/08/2019

Contos sorteados pela plateia formam espetáculo apresentado na Arena Walcyr Monteiro

A companhia de teatro “Sorteio de Contos” foi a grande atração da tarde desta sexta (30) na Arena Walcyr Monteiro. Como o próprio nome diz, o diferencial da companhia é que o espetáculo a ser apresentado é sempre definido por meio de sorteio na hora da exibição. Desta vez, o sorteio teve ajuda do público: saiu um conto sobre uma princesa que enganou a morte e outro sobre um guerreiro indígena que lutou contra demônios.O ator que conduz o espetáculo, Lucas Alberto, encarnou a personagem “Ubirá”, uma espécie de narrador das tramas que também interpreta as personagens dos contos. Esta foi a segunda vez que o espetáculo esteve na programação do evento.“É muito legal a gente se apresentar para crianças porque é uma forma de incentivar a leitura, o que é muito importante em tempos de tablet e celular”, destacou.A professora Regina Pantoja levou cerca de 50 alunos do Centro Educacional Santa Isabel de Portugal, de Icoaraci, para prestigiar a apresentação. Com idades entre seis e nove anos, eles ficaram encantados com o ator e objetos da cena.“Esta é a primeira vez que a nossa escola vem à Feira e a ideia é justamente oferecer esse contato mais próximo com a leitura e outras formas de artes, para que eles desenvolvam esse gosto”, contou.A assistente social Maria Chaves, de 44 anos, mãe da pequena Rebeca, de quatro anos mesma visão. Ela pesquisou na programação da Feira os eventos que considerava mais apropriados para a criança. Escolheu a peça da companhia e levou a filha. “Gosto muito da Feira do Livro, já é uma tradição vir até o evento e, depois que a Rebeca nasceu, decidi trazê-la. Acho importante que as crianças aprendam a valorizar a leitura e os livros desde cedo. E arte como um todo ajuda a fazer com que eles gostem ainda mais”, detalhou.Serviço:A 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Pará por meio da Secretaria de Cultura (Secult) que segue até 1º de setembro no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O evento está aberto para visitação entre 10h e 21h com entrada franca. Texto: Elck OliveiraFotos: Paulo Favacho

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Arena Multivozes exibe "Icamiabas da Amazônia", animação inspirada em elementos regionais
30/08/2019

Arena Multivozes exibe "Icamiabas da Amazônia", animação inspirada em elementos regionais

Inspirada em lendas amazônicas, a série de animação protagonizada por quatro indígenas super poderosas "Icamiabas da Amazônia" foi apresentada na tarde desta sexta (30) na Arena Multivozes, na 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes. Otoniel Oliveira, criador da série, tirou a inspiração da lenda das Icamiabas, amazonas que viviam em uma comunidade sem homens. “Essa é uma nova forma de ver a fantasia de super heróis, na nossa região. Na nossa história as Icamiabas são estagiárias dos deuses da Amazônia, que chamam elas para resolverem problemas entre os seres humanos e os seres mitológicos”, explicou. Usando lendas características da região, o desenho apresenta contextos atuais, como as Icamiabas falando gírias mais jovens e lidando com tecnologias digitais. “Uma das coisas legais como autor é a responsabilidade de olhar para o lado, ver como é a vida e colocar isso no trabalho”, destacou Otoniel. E é justamente isso que chamou a atenção das estudantes Yasmim Monteiro, Ingrid Somaia e Stéfane Moraes, que vieram ao evento com a Escola Senador Álvaro Adolfo, do município de Ananindeua, . “É bem interessante, porque é paraense e a gente vê que ele está bem avançado nas tecnologias, falando de whatsapp, e-mail”, disse Yasmim. “É um tipo de desenho que a gente nunca tinha visto antes e que chama a atenção. Estamos conhecendo um pouco mais a cultura do Pará”, comentou Ingrid.A professora Laurete Monteiro também foi prestigiar o desenho e aproveitou para levar a sobrinha, Ana Julia. “Estávamos na Feira e ouvi o som do vídeo. A Ana gosta muito de desenhos e pensei em trazer ela pra cá. Um desenho que fala da Amazônia é importante demais para as crianças conhecerem a nossa cultura, as nossas lendas, o que é nosso”, disse. Serviço:A 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Pará por meio da Secretaria de Cultura (Secult) que segue até 1º de setembro no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O evento está aberto para visitação entre 10h e 21h com entrada franca. Texto: Isabela QuirinoFoto: Alex Ribeiro

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Papo Cabeça: Ancestralidade, Sagrado e Cultura dos povos indígenas contagiam Arena Multivozes
30/08/2019

Papo Cabeça: Ancestralidade, Sagrado e Cultura dos povos indígenas contagiam Arena Multivozes

A importância do respeito à ancestralidade, à cultura originária do Brasil e à resistência das populações nativas do nosso território foi a tônica do Papo Cabeça com o tema “A Mulher Indígena e o Bem Viver”, que teve a indígena e geógrafa Márcia Kambeba como convidada. Ela conversou com a jornalista Joyce Cursino na Arena Multivozes no final da manhã desta sexta (30), dia da programação da Feira que é dedicado às vozes indígenas. Márcia Kambeba deu início ao diálogo apresentando canções indígenas de sua autoria, partilhadas com representantes de outras etnias como Tupinambá, Marajoara, Tikuna e Tembé. Posteriormente, ela falou sobre a miscigenação que marca o povo brasileiro, já que os indígenas que aqui viviam antes da chegada dos colonizadores acabaram se misturando aos europeus e, posteriormente, aos negros africanos escravizados e trazidos para cá. “Todos nós, temos, no nosso sangue, um pouco de cada um desses povos. O importante é saber com o que nos identificamos, qual é o nosso orgulho, qual é o nosso pertencimento”, destacou.Justamente por ser o pertencimento algo abstrato, ele não está ligado ao lugar onde a pessoa vive ou a forma como se veste. “Tem gente que acha que o indígena não é mais indígena quando não mora numa aldeia ou quando não se veste de palha e penas. A verdade é que somos indígenas porque a cultura está dentro de nós”, frisou.A geógrafa também discorreu sobre a questão da aculturação dos povos indígenas, que tiveram seus saberes, línguas, crenças e modos de viver destruídos pelo colonizador português. Ela falou, ainda, sobre a forma como o indígena lida com a natureza, priorizando o “bem viver” em detrimento do “viver bem”.“O índigena tem um respeito muito grande pela natureza, até porque, na nossa crença, todos os seres têm um espírito que precisa ser respeitado e que deve ser devolvido à ancestralidade, assim como todos nós”, detalhou.A professora universitária Juliana Marques fez questão de levar uma turma de 35 alunos do curso de Pedagogia para prestigiar a apresentação. A docente, que ministra a disciplina de Direitos Humanos para diferentes cursos superiores, acredita que esse tipo de programação é fundamental para fazer os estudantes pensarem “fora da caixinha”.“A questão do indígena e a sustentabilidade é um dos pilares da nossa disciplina. Por isso, decidi trazê-los aqui, para que eles possam ouvir a fala dos próprios indígenas, coisa que a gente muitas vezes não consegue dentro da sala de aula. E, como futuros professores, eles precisam ter isso em mente com clareza”, relatou.Da mesma forma, Norma Ferreira, coordenadora pedagógica da Escola Estadual Raimundo Vianna, do bairro do Parque Verde, levou alunos do Ensino Médio da escola para debater a questão. “Os temas tratados aqui hoje posteriormente serão explorados por ele na nossa Feira da Cultura, daí a importância de eles estarem aqui”, contou.Para o estudante do terceiro ano do Ensino Médio da escola, Gustavo Nunes, de 18 anos, a experiência foi inovadora. “Com certeza, vou passar a respeitar muito mais a cultura dos nossos antepassados e passar a julgar menos, levando em conta o ponto de vista de cada um”, disse.Serviço:A 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Pará por meio da Secretaria de Cultura (Secult) que segue até 1º de setembro no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O evento está aberto para visitação entre 10h e 21h com entrada franca. Texto: Elck OliveiraFotos: Mário Quadros

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Djamila Ribeiro fala sobre a voz da mulher negra na Arena Multivozes na quinta (29)
30/08/2019

Djamila Ribeiro fala sobre a voz da mulher negra na Arena Multivozes na quinta (29)

Nesta quinta-feira (29), o lugar de fala de muitas mulheres foi a Arena Multivozes, montada na 23ª Feira Pan-Amazonica do Livro e das Multivozes; e a “Voz da Mulher” esteve representada no timbre da filósofa e acadêmica Djamila Ribeiro, convidada do Encontro Literário realizado de 20h às 21h.Para a autora dos best-sellers “Quem Tem Medo do Feminismo Negro?” (2018) e “O Que É Lugar de Fala?” (2017), o dia dedicado às mulheres na Feira foi fundamental para que a obra feminina ganhe as casas e o favoritismo dos leitores. “Ainda não conhecemos o suficiente porque existe a imposição de uma voz”, afirmou.Djamila vê a questão racial, um dos temas mais discutidos em suas pesquisas, como parte estruturante da sociedade. Por isso, espaços como a Feira devem ser ocupados e vistos como uma oportunidade de visibilizar as vozes esquecidas ao longo da história.“É importante valorizarmos e reconhecermos autoras como Zélia Amador e termos um espaço discutindo o assunto, um dia discutindo as várias possibilidades de ser mulher. Ainda não existe uma literatura feminina. Somos muito pautados pelo olhar do homem e ainda acabamos por invisibilizar produções que são importantes”, analisa.Sobre o processo de feminismo na geração de meninas que está se formando, Djamila acreita que o primeiro trabalho começa em casa, nas mães com suas filhas, nas escolas com os estudantes. Todos devem ser conscientizados sobre o que é ser feminista.“Você tem educadores comprometidos com isso. O primeiro passo é entender que feminismo não é o contrário de machismo, que o que estamos combatendo é uma ideologia de gênero já posta no Brasil, que permite que a cada cinco minutos uma mulher seja agredida. A causa dessa luta é que o gênero não seja usado como forma de opressão. E precisamos reverberar isso em outros espaços”, destacou.Movimento negro presente Cláudia Peniche, de 53 anos, foi uma das espectadoras da conversa com Djamila. Professora de educação física e mestra em história, ela conta que veio para o evento pela representatividade para o movimento negro. Integrante do Centro de Estudo e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), Cláudia avaliou a importância do momento para o público.“A história da mulher negra é emblemática. Então, esse momento é importante por tudo o que passamos no passado, vivemos no presente e ainda vamos enfrentar no futuro. Ouvir o que ela tem pra dizer é relevante demais para a gente”, diz, ressaltando o número ainda alarmante de mulheres que morrem em atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).O Encontro Literário também chamou bastante atenção de estudantes, como foi o caso do graduando em geografia Lucas Alegário, de 23 anos. O jovem conheceu o trabalho da autora por vídeos na internet, já teve contato com alguns dos textos escritos por ela e admite: o dia foi de aprendizado.“Ela é uma referência não só para o feminismo, mas para o movimento negro. Então vim prestigiar e aprendi muito. Eu milito com mulheres negras. A nossa própria posição enquanto homem negro é de subalternidade, principalmente para as mulheres negras. Então precisamos dar apoio a essas mulheres, ouvi-las e reivindicar junto a elas. Trazer as pautas para o debate e tentar agregar à luta. Só elas sabem o que elas passam”, pontou o estudante.Djamila Ribeiro É considerada uma das principais vozes do feminismo negro no Brasil. Em pouco mais de cinco anos, tornou-se o nome mais conhecido quando se fala em ativismo negro no Brasil. Mestra em filosofia política, ela é idealizadora do selo editorial “Sueli Carneiro”, que homenageia a escritora e ativista brasileira incentivando a publicação de produções literárias escritas por negras brasileiras, latinas, indígenas e LGBTQI+.Djamila tem mais de 430 mil seguidores no Instagram. É escritora, colunista da Folha de São Paulo. Presença constante nos crescentes espaços de debate sobre os movimentos das mulheres e na luta por diversidade.  Hoje, Djamila prepara mais um livro: inspirada em manuais como Para Educar Crianças Feministas, da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, sua nova obra terá como objetivo orientar as pessoas sobre como não agir de forma racista.Serviço:A 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Pará por meio da Secretaria de Cultura (Secult) que segue até 1º de setembro no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O evento está aberto para visitação entre 10h e 21h com entrada franca. Texto: Natália Mello Fotos: Paulo Favacho

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