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Histórias de assombrações do imaginário popular encantam público de todas as idades
31/08/2019

Histórias de assombrações do imaginário popular encantam público de todas as idades

Dos livros diretamente para o imaginário do público, duas das histórias narradas pelo autor paraense Walcyr Monteiro ecoaram pela arena que recebe o seu nome em mais um dia da 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes. A contação ‘Histórias Bem Assombradas’ ocorreu na manhã de sábado (31) - dia dedicado às vozes dos autores paraenses - e contou com a participação de uma plateia repleta de jovens e crianças.Envoltas em muito mistério, as histórias registradas por Walcyr Monteiro ganharam vida na voz da arte-educadora e contadora de histórias Yandra Galuppo. Em meio aos causos de aparições de fantasmas ou mesmo da própria ‘morte’, o que ficou evidenciado na programação foi a tradição das histórias que figuram no imaginário da população paraense há muitos anos.Em uma das histórias contadas, um rapaz se encanta por uma jovem avistada na Praça da República. Ao tentar reencontrá-la no dia seguinte, ele descobre que ela já não mora na casa em que havia indicado. Na residência, o homem encontra apenas uma senhora que diz que a mulher descrita é uma filha sua, falecida há um ano. “Se tais histórias são verídicas, não sabemos, mas sem dúvida elas fazem parte da cultura popular da Amazônia e do nosso Estado”, destacou Yandra Galuppo, diante do olhar atento da plateia. “Eu chamo de histórias bem assombradas porque, apesar de serem assombradas, elas sempre deixam uma mensagem importante para a gente refletir”.Leitora de Walcyr Monteiro, a assistente social Kelly Almeida, 38 anos, fez questão de ir até a Feira para acompanhar especialmente a contação dos contos de Walcyr. “Eu queria muito assistir esse conto porque é o meu preferido do livro. É sempre importante cultivar essas lendas que fazem parte do nosso imaginário”, aponta. “Eu trouxe meu filho – o pequeno Andrey Almeida, de 7 anos – porque acho importante incentivar a continuidade dessas histórias e ele adora”.Filho do autor Walcyr Monteiro, Átila Monteiro, 49 anos, estava na plateia e se emocionou com a contação das histórias registradas pelo pai. “O papai registrou durante toda a sua vida todas essas histórias contadas pelos caboclos, ribeirinhos e habitantes da Amazônia porque ele não queria que as pessoas esquecessem essas histórias”, lembrou. “Viva a Amazônia e viva Walcyr Monteiro!”.O escritor Walcyr Monteiro faleceu em maio deste ano.Serviço:A Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Estado do Pará e segue até o dia 1º de setembro, quando as ‘Vozes Urbanas’ serão o destaque. O evento é gratuito e aberto ao público no horário de 10h às 21h. Texto: Cintia MagnoFotos: Mário Quadros

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Público vira personagem de lendas amazônicas na arena Walcyr Monteiro
31/08/2019

Público vira personagem de lendas amazônicas na arena Walcyr Monteiro

“Quem quer ser personagem das histórias que eu vou contar?”. O convite feito pela Matinta Encantada foi suficiente para permitir que as crianças que acompanharam a programação da Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, na manhã de sábado (31), fossem protagonistas das tradicionais lendas Amazônicas. Trazendo uma releitura da lenda da Matinta Pereira, a contação de história fez parte da programação abrigada pela arena Walcyr Monteiro.Quando planejou passar a manhã de sábado na Feira do Livro, o pequeno Mateus Farias Alves, de 9 anos, não imaginou que se transformaria no Boto, personagem emblemático das lendas amazônicas. Já caracterizado com roupas e chapéu branco, ele não escondeu a animação por participar da história que seria contada. “Eu não esperava que isso fosse acontecer, mas gostei muito”, revelou. “É uma forma muito boa de apresentar as lendas pra eles”, complementou a mãe de Mateus, a professora Celeste Farias, 42 anos. Além de Mateus, outras crianças presentes na plateia ajudaram a contar as lendas da Iara, do Curupira, da Vitória Régia e da própria Matinta Pereira.Comandando as atividades, a contadora de histórias Maria Borges, 60 anos, apresentava às crianças mais uma personagem, a Matinta Encantada. “A Matinta Encantada é uma defensora da floresta”, aponta, ao lembrar que a inspiração para a personagem surgiu com o objetivo de fazer com que as crianças se identificassem com a personagem. “A Matinta já estava sendo esquecida e eu criei a personagem um pouco diferente para tirar a imagem ruim que ficava sobre ela”.No que depender do público que acompanhou a contação de histórias, não apenas a Matinta, como as demais lendas amazônicas permanecerão vivas ainda por muito tempo.Serviço:A Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Estado do Pará e segue até o dia 1º de setembro, quando as ‘Vozes Urbanas’ serão o destaque. O evento é gratuito e aberto ao público no horário de 10h às 21h. Texto: Cintia MagnoFotos: Mário Quadros

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Carimbó e dança encerram dia das vozes indígenas e originárias nesta sexta (30)
31/08/2019

Carimbó e dança encerram dia das vozes indígenas e originárias nesta sexta (30)

Nem a chuva desanimou o público da 23º Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes nesta sexta (30), que ocupou a área externa embalado pela batucada contagiante dos grupos de carimbó Sereias do Mar e Sancari.Mesmo com o encerramento das atividades na parte interna do Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, muitos relutavam a deixar o complexo motivados pelos shows do lado de fora.Presidente do Sancari e vocalista, Jason Leão se disse feliz por estar em um evento que aborda tantos temas da natureza cheio de pessoas tão disponíveis a ver, ler e ouvir sobre o que ainda é desconhecido para tantos."Tem um significado enorme tudo isso, estarmos aqui. São 33 anos de história nossa e o curimbó, o nosso tambor, é uma forma de chamarmos nossos ancestrais. Tudo isso aqui é uma forma de afastar todo e qualquer tipo de preconceito, um sentimento ruim que não vale de nada. A gente vem cheio de energia com essa mensagem", revelou, minutos antes de entrar no palco.Com letras falando sobre valorização à Cultura e à Educação, as mulheres do Sereias do Mar eram só alegria antes, durante e depois do show."Me sinto feliz de estar aqui, fazer parte de algo tão bonito repassando aquilo que aprendi da minha mãe, dos meus avós. Algo que está no meu sangue e no de todos nós. A Cultura serve para aflorar tudo isso, é muito importante a Feira propiciar essa abertura", elogiou a cantora e dançarina Raimunda de Carvalho, conhecida como Mestre Bigica Sereia do Mar.Serviço:A 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Pará por meio da Secretaria de Cultura (Secult) que segue até 1º de setembro no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O evento está aberto para visitação entre 10h e 21h com entrada franca. Texto: Carol MenezesFotos: Paulo Favacho

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Orgulho da pajelança emociona Zeneida Lima na Arena Walcyr Monteiro
31/08/2019

Orgulho da pajelança emociona Zeneida Lima na Arena Walcyr Monteiro

Aos 85 anos de idade, a pajé educadora Zeneida Lima se emociona tanto ao rever "Encantados" (2017), filme de Tizuka Yamasaki, quanto ao falar de sua missão de fazer o bem aos outros. Durante a exibição da produção feita a partir de sua própria história de vida nesta sexta (30) ela enalteceu em conversa com o público a iniciativa do Governo do Estado em abrir espaço, como nunca, para a diversidade cultural."Fiquei muito feliz pelo convite e por poder apresentar a essas pessoas algo que me emociona e faz lembrar muito da minha infância. Considero o filme uma revelação para as pessoas que não conhecem a cultura amazônica, para que saibam e vejam como deve ser reconhecido um pajé que veio para curar o mundo e guardar tradições", discursou.O filme, que tem Dira Paes no elenco e se passa no Marajó, onde Zeneida mora até hoje, reproduz a dificuldade da pajé, ainda menina, em lidar com os dons descobertos quando criança."Sofri discriminação desde pequena e sofro ainda hoje, aos 85 anos. Não tenho culpa de ter o dom da cura. Faço minha parte fazendo bem aos meus semelhantes, abraçando todas as religiões, pois todas levam a Deus", Dos presentes, muita curiosidade sobre sua relação com os encantados, de sua própria relação com a natureza e também do tempo que frequentou em uma época de extrema solidão, a região Batista - tempo esse que cita como sendo um dos mais felizes de sua vida. Sua volta ao Marajó, depois de 27 anos morando no Rio de Janeiro, propiciou a realização do sonho da criação do Instituto Caruanas, que leva educação e cultura a crianças da região."Voltei mais sabida. Com a mente mais aberta. Acredito que a educação transforma as pessoas. Pajeísmo é cultura, não é religião. Todos devíamos ter orgulho. A pajelança cabocla, nos cânticos e rituais é motivo de orgulho. É amar a natureza porque é início e fim de todas as coisas. Ela dá o troco", aconselhou.Serviço:A 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Pará por meio da Secretaria de Cultura (Secult) que segue até 1º de setembro no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O evento está aberto para visitação entre 10h e 21h com entrada franca. Texto: Carol MenezesFotos: Ricardo Amanajás

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Encontro Literário: Eliane Potiguara se emociona falando sobre ancestralidade e literatura indígena
31/08/2019

Encontro Literário: Eliane Potiguara se emociona falando sobre ancestralidade e literatura indígena

Encerrando a programação das vozes originárias indígenas da 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, a Arena Multivozes recebeu a escritora, ativista e empreendedora indígena Eliane Potiguara no Encontro Literário.As raízes da ancestralidade e literatura indígena pautaram a participação da escritora, que destacou a importância de se ter povos originários na literatura, o que ajuda na divulgação da cultura indígena, além de tratar sobre temas como territorialidade, tradições entre outros temas que fazem parte da vivência desses povos.“Nos últimos anos, nós temos trabalhado muito a questão da educação indígena, que é um ponto fundamental porque os professores que são indígenas estão ensinando os alunos conteúdos dos povos originários - cultura, língua, tradição”, destacou Eliane.Para a ativista, o reconhecimento dos pensamentos indígenas precisa ser evidenciado, pois a ancestralidade indígena possui sabedoria necessária para contribuir com a sociedade atual. “Nossos ancestrais são os sábios, são os mestres da medicina. A conferência do meio ambiente sabe disso e trouxe líderes para mostrar esses conhecimentos”, explica.“É importante que se valorize e reconheça a autoria de conhecimentos indígenas tradicionais, que têm muito a contribuir com a nossa sociedade”, ressalta a autora do livro “Metade Cara, Metade Máscara” que conta uma história de amor pautada em temas políticos, autoestima e o ser espiritual, além do fortalecimento do homem. A obra valoriza o amor pela família e ancestralidade.Márcia Kambeba, poeta, geógrafa e mediadora do Encontro Literário, destaca a importância de se debater temas como a preservação da Amazônia e acrescenta que a sabedoria indígena é algo para ser espelhado pelas sociedades. “O viver indígena já engloba um cuidado com a natureza e com o outro dentro de um conhecimento que é milenar, ancestral e espiritual. Na aldeia não existe cadeia, hospício porque sabemos lidar com a lógica do bem saber e o bem viver, que é uma lógica que tem que ser aprendida pela cidade”, ressalta.Prestigiando a programação da Feira, encontramos histórias de indígenas que quebram estigmas sociais. É o caso de Nice Kwatj, a primeira e única jornalista indígena do estado do Pará originária do povo Camuta da nação Tupinambá. Segundo ela, é muito importante promover esses diálogo para que estereótipos sociais possam ser desmistificados.“Estamos aqui nesta Feira trazendo nossa cultura e nosso pensamento. Como comunicadora indígena, desconstruir estereótipos é o meu principal papel”, aponta.“Posso ser jornalista, médica, blogueira e tudo isso sem perder a minha identidade indígena. Podemos nos misturar e nos inserir em outros povos, no contexto urbano e ainda assim adquirir outras culturas sem perder a nossa ancestralidade”, reforça Nice.Serviço:A 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Pará por meio da Secretaria de Cultura (Secult) que segue até 1º de setembro no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O evento está aberto para visitação entre 10h e 21h com entrada franca. Texto: Gabriel MarquesFotos: Mário Quadros

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Educação escolar indígena é tema de mesa redonda nesta sexta (30)
31/08/2019

Educação escolar indígena é tema de mesa redonda nesta sexta (30)

Desafios do acesso à educação por parte dos povos indígenas pautaram a mesa redonda “Os Dilemas da Educação Escolar Indígena”, realizada na noite desta sexta (30) na Arena Multivozes.No local, a Doutora em educação Joelma Alencar e a Coordenadora de Educação Escolar Indígena Lili Chipaia falaram sobre dificuldades e métodos eficazes para garantir a inclusão de cada povo, dentro de suas características, no sistema educacional brasileiro. A metodologia e a estratégia não encontrada pelos governos para ofertar a educação básica aos indígenas foi um dos principais pontos discussão. “A gente fala muito do ensino superior, mas nós não temos como pensar e discutir ensino superior na sua amplitude se não falarmos e não resolvermos a situação da educação básica. É uma formação contínua”, ressalta Lilia Chipaia.Para a educadora, é preciso pensar e desenvolver políticas públicas eficazes através do diálogo e de uma construção coletiva. “A gente precisa pensar políticas educacionais que visem a interculturalidade, a intervenção e que acima de tudo respeitem os métodos próprios de ensino e aprendizagem”, completa.Segundo Joelma Alencar, a visão preconceituosa da sociedade sobre os povos indígenas deve ser desfeita para que esses povos possam ser de fato reconhecidos. “Precisamos parar de pensar que o indígena é aquele ser que tem que ficar na floresta e não pode ter contato com outras culturas”, explica.“Hoje, o instrumento de luta dos indígenas é a educação. A partir dela, eles ressignificam suas estratégias de resistência e fortalecimento e sua própria identidade quanto indígena”, conclui a educadora.Serviço:A 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Pará por meio da Secretaria de Cultura (Secult) que segue até 1º de setembro no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O evento está aberto para visitação entre 10h e 21h com entrada franca. Texto: Gabriel MarquesFotos: Maycon Nunes

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Autora lança livro infantil sobre amizade e meio ambiente no estande da Ioepa
31/08/2019

Autora lança livro infantil sobre amizade e meio ambiente no estande da Ioepa

A interdependência existente na natureza, o ciclo da vida e a amizade são os temas do livro infantil “Mirrão”, da escritora Ester Septimio, lançado na noite desta sexta (30), no estande da Imprensa Oficial do Estado (Ioepa), na 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes. O livro foi impresso pela editora pública da Ioepa.A história de amizade de um menino que mora em uma fazenda com um sapo é o pretexto usado por Ester Septimio para fazer uma reflexão sobre a vida e o meio ambiente. “Todos dependem um dos outros, a natureza depende desse ciclo de cooperação para se sustentar, então, Nascer e morrer faz parte desse ciclo. Não devemos temer a morte e devemos ensinar as crianças a ver a morte como uma coisa natural”, filosofou a autora.Ela contou que escreve há muito tempo, mas que agora decidiu começar a lançar suas obras. Ester também é autora do livro “A Dentadura da Tartaruga”, outro livro infantil. “Escrever para as crianças é o meu objetivo. É importante que a criança tome gosto pela leitura desde cedo e aprenda a ter referências para ser um adulto consciente’, opinou Ester Septimio. Além de autografar a obra e receber amigos, parentes e o público que apareceu para prestigiar o lançamento, a escritora participou de uma entrevista ao vivo no estúdio da Rádio Cultura (93,7) montado na Feira do Livro.O livro "mirrão", de Ester Septimio, publicado pela Imprensa Oficial do Estado do Pará, custa R$ 20 e está disponível para venda no estande da Imprensa Oficial do Estado, na 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, no Hangar, em Belém, até domingo (1º), das 10h às 22h.Serviço:A 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Pará por meio da Secretaria de Cultura (Secult) que segue até 1º de setembro no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O evento está aberto para visitação entre 10h e 21h com entrada franca. (Ascom Seduc)

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Direitos indígenas são tema de mesa redonda na Arena Multivozes
31/08/2019

Direitos indígenas são tema de mesa redonda na Arena Multivozes

Dois importantes representantes de etnias indígenas no Pará foram os convidados da mesa redonda desta sexta (30), às 17h, na Arena Multivozes. Com o tema: “Direitos indígenas na academia, instituições e sociedade", Timei Assurini (PA) e Juma Xipaia (PA) falaram para um público de mais de 100 pessoas e contaram com a presença de vários representantes de seus povos.Juma tem 27 anos e é a primeira mulher cacique da aldeia de Tukamã, em Altamira (sudoeste do estado), onde também é estudante do curso de medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA). Em seu discurso, a jovem falou sobre a importância da união de todos os povos na luta pela preservação da cultura e floresta amazônicas. “A gente tem que não somente dar voz aos indígenas, mas a todos os povos. Tudo que acontece aqui deve ser levado todo ano para a vida de todas as pessoas. Não somente um dia”, pontuou.Juma falou ainda sobre a urgência dos povos se unirem para que resistam juntos. “Precisamos continuar resistindo. Sozinhos somos fracos, mas, juntos, nós somos uma nação inteira que é muito forte. Nós devemos defender a Amazônia e o Brasil como seres humanos. Isso é um dever de todos nós, independente de ser indígena ou não”, concluiu.Jornada pelo conhecimento Timei saiu da aldeia no Médio Xingu, localizada também no município de Altamira, em busca de conhecimento no mundo dos Karai (não indígenas). Esta missão também era uma forma de curar a depressão, doença que veio acompanhada dos impactos ambientais e culturais provocados pelos grandes projetos na Amazônia.No Rio de Janeiro, Timei participou de encontros, oficinas e palestras sobre agroecologia, permacultura, saneamento ecológico e outras formações e crê que será a aliança de conhecimento entre os dois mundos que permitirá a resistência dos Assurini do Xingu – uma das 11 impactadas diretamente pelo empreendimento da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.“A importância de estar aqui, para mim, é compartilhar a relação. A oportunidade é de estar compartilhando o que pouco se fala, muitas vezes por medo, porque somos ameaçados. As pessoas precisam saber o que está acontecendo com as nossas etnias. A feira me trouxe muitas pessoas que estão nessa luta, como os afro. A gente tem que se unir, os movimentos”, ressaltou.ContatoEsta sexta foi o primeiro dia da professora de inglês Arianne Souza, de 27 anos, na Feira. Natural de Castanhal, ela veio acompanhar o pai, que é escritor e está no estande de autores paraenses. Para a jovem, a mesa com os dois indígenas, acima de tudo, é um impacto, e ainda uma possibilidade de gerar identificação com os participantes da palestra.“Ouvir de alguém que tem propriedade para falar dá muito mais veracidade aos fatos. Na Feira, com tão diferentes pessoas, em idade, contexto social. É fundamental ter o mínimo contato com a realidade dos outros, do índio, do negro, da mulher. Precisamos sair do nosso mundo e entrar no do outro”, finalizou.Serviço:A 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Pará por meio da Secretaria de Cultura (Secult) que segue até 1º de setembro no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O evento está aberto para visitação entre 10h e 21h com entrada franca. Texto: Tayná HoriguchiFotos: Mário Quadros

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