Literatura para os jovens é tema de conversa na Arena Multivozes


Neste domingo (1), dia dedicado às vozes urbanas na 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, os autores paraenses Bruna Guerreiro e Andrei Simões falaram durante a tarde sobre o tema “Literatura dos Jovens e para os Jovens”. Eles participaram de um bate-papo mediado pelo livreiro e blogueiro Rafael Lutty na Arena Multivozes. 

Bruna, que é historiadora de formação, tem mais de cinco obras lançadas, algumas em formato de série. Ela conversou com o público sobre o seu processo de criação e sobre as dificuldades que os autores ainda enfrentam para lançar livros no Brasil.

“Ninguém nasce feito. O que faz um escritor é escrever. Hoje, percebo que algumas coisas que eu comecei a escrever lá atrás não eram para aquele momento, pois eu não tinha maturidade - nem idade e nem de escrita - para que elas fossem finalizadas ali. Já demorei 12 anos pra concluir um trabalho”, disse.

Já Andrei, que também atua como professor, é um escritor que trabalha mais na linha do terror e da fantasia e tem uma carreira já consolidada na área. Ele disse que a literatura que produz é uma “literatura de guerrilha” por ser aquela que “não fica apenas nas livrarias” e que isso é fundamental para a formação de leitores.

“Penso que nunca na história da Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes se deu tanto espaço para o escritor paraense e isso é importante, porque o público local precisa conhecer o que é produzido aqui”, destacou.

Para o escritor, o público precisa conhecer os clássicos da literatura, mas aponta que é mais fácil formar leitores propondo leituras mais próximas da vivência deles.

“Quando eu era bem jovem, fui obrigado a ler Machado de Assis. Agora, quando eu leio a obra do Machado, claro, gosto muito mais. Acho que obrigar o adolescente a ler coisas que não condizem com a realidade dele, em vez de atrair, acaba afastando”, opinou.

 É essa a visão da professora Patrícia Nascimento, que ministra aulas de sociologia em duas escolas da rede pública estadual na cidade de Santa Maria do Pará, distante cerca de 100 quilômetros de Belém.

Ela idealizou e realiza, há seis anos, uma jornada literária que movimenta todo o município. O objetivo, no início, foi aproximar os alunos da leitura e mostrar os caminhos para aqueles que querem ser escritores. Ela já levou vários escritores paraenses para interagir com os alunos, inclusive Andrei Simões e outros.

 “Sou uma leitora compulsiva e sempre estimulei os meus alunos à leitura, mas decidi ampliar e criar um evento porque eu tinha dois alunos que queriam escrever e não sabiam como começar. Aí chamei autores paraenses para contar a experiência deles. Assim começou o evento, que hoje não é mais só um evento da escola, mas de Santa Maria, porque toda a cidade já abraçou”, contou ela, que participou do debate com os escritores paraenses. 

Serviço:

A 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes é uma ação do Governo do Pará por meio da Secretaria de Cultura (Secult) que segue até o fim do dia 01/09 no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O evento está aberto para visitação entre 10h e 21h com entrada franca.

Textos: Elck Oliveira
Fotos: Paulo Favacho